FAB LAB Escola e formação docente: uma década de práticas mão na massa e reflexão pedagógica

Autores

  • Jessica Souza
  • Wagner Moreira da Silza Faculdade Sesi de Educação
  • Carla Fernanda da Silva Perez Faculdade Sesi de Educação
  • Joana Kelly Souza Dos Santos Faculdade Sesi de Educação

Resumo

Este artigo apresenta um relato analítico de experiências pedagógicas desenvolvidas no Laboratório de Fabricação Digital (FABLAB Escola – Vila Leopoldina) da Faculdade SESI-SP de Educação ao longo de uma década de funcionamento do espaço. O estudo busca responder às seguintes questões: de que maneira experiências pedagógicas concretizadas em um FABLAB-Escola podem contribuir para a formação inicial de professores, especialmente no que se refere à integração de tecnologias digitais, às práticas investigativas e à mediação pedagógica em contextos educacionais orientados pela cultura maker? E em que medida um espaço tecnológico avançado se transforma quando ressignificado a partir de uma perspectiva formativa voltada à ação cidadã e à transformação da realidade vivida pelos estudantes? A investigação foi conduzida por meio de análise documental de registros institucionais, incluindo agendamentos do laboratório, planos de trabalho docente e registros das atividades realizadas entre 2016 e 2026. A partir desse levantamento foram selecionados quatro casos representativos envolvendo licenciandos dos cursos de Ciências da Natureza e Matemática. A análise das experiências foi realizada à luz de referenciais sobre cultura maker e fabricação digital na educação (Blikstein, 2013), integração de tecnologias educacionais (Valente, 2022) e conhecimento pedagógico do conteúdo (Shulman, 1986), tomando como categorias analíticas quatro eixos: integração técnica, mediação do erro, dimensão transdisciplinar e documentação do processo educacional. Os resultados indicam que o FABLAB pode funcionar como um espaço formativo relevante para a formação docente quando as tecnologias de fabricação digital são mobilizadas em torno de problemas reais, processos investigativos e produções autorais. Ao mesmo tempo, o estudo evidencia limites relacionados à dependência técnica de especialistas e à necessidade de maior sistematização da documentação pedagógica. Conclui-se que ambientes maker possuem potencial para ampliar as possibilidades de formação docente, desde que sejam compreendidos não apenas como espaços tecnológicos, mas como ambientes pedagógicos voltados à investigação, à autoria e à construção coletiva do conhecimento.

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Publicado

2026-06-02